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Aos 60 anos, NGK expande produção em Mogi


Em agosto de 1959, quando a matriz da NGK do Japão adquire a propriedade da Cerâmica Pavan, na rua Professor Flaviano de Melo, na faixa de terreno onde está agora o Terminal Central de Ônibus e um dos prédios municipais, Mogi das Cruzes estava próxima de registrar saltos que marcariam o desenvolvimento socioeconômico da cidade em definitivo.

No início daquela década, 1950, o censo mostrou que a cidade possuía 61.555 moradores. Após o primeiro ano de atividades da empresa de origem japonesa, em 1960, esse número subiu para 100.555. É nesse contexto municipal, marcado ainda pela criação de novos bairros como o Mogilar e a Ponte Grande e a chegada de novas empresas, a NGK iniciou as primeiras operações fora do país de origem. No Brasil, o grupo alarga horizontes na mesma velocidade da industrialização brasileira ancorada nas políticas do presidente Juscelino Kubitschek, com destaque para o avanço dos setores automobilístico e da construção civil. Ao comemorar os 60 anos de atividades, o grupo executa o projeto de expansão da fábrica mogiana estimado em R$ 210 milhões, um investimento não condicionado à situação econômica brasileira, mantém 1,3 mil empregos diretos e já nacionalizou, nesse processo, a produção de velas especiais de metal precioso, o G Power.

A empresa é uma das maiores geradoras de postos de trabalho em Mogi das Cruzes. Ela começa a operar na planta antiga, localizada na região central, e nas últimas três décadas está no complexo industrial instalado no bairro do Cocuera, na rodovia Mogi-Salesópolis. Em 2007, o grupo concluiu as instalações administrativas e produtivas após a transferência para o novo endereço, em um processo que atendeu a um acordo firmado com a Prefeitura. O imóvel da antiga fábrica foi transferido para a administração pública.

Desde a sua chegada a Mogi das Cruzes, as operações da NGK foram marcadas pelo estreitamento do relacionamento com a comunidade mogiana.

Em uma entrevista por e-mail a O Diário, o engenheiro eletricista Gilberto Yoshiharu Maeda, diretor de Administração e Recursos Humanos, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho e Suprimentos, destacou a manutenção desse diálogo entre a comunidade e o grupo empresarial que detém alguns dos maiores índices de vendas de seus carros-chefes, de itens como as velas automotivas.

“Mogi das Cruzes desempenha um papel fundamental em nossa trajetória e foi escolhida para abrigar a primeira fábrica da companhia fora do Japão. Como parte da sua filosofia, a NGK do Brasil realiza diversas ações em prol da comunidade local, retribuindo a hospitalidade, confiança e respeito com que a empresa foi recebida”, comentou.

O diretor citou campanhas como as educacionais de incentivo à leitura e à prática esportiva e ambientais. Além disso, a empresa desenvolveu e implementa o Programa de Monitoramento do “Bicudinho do Brejo Paulista”, que busca preservar o pássaro nativo de Mogi das Cruzes ameaçado do extinção.

Nos últimos anos, o marco dessa trajetória, segundo Maeda, foi a conclusão da transferência do complexo industrial para o bairro Cocuera, em 2007. “A constante expansão da empresa e da cidade de Mogi das Cruzes exigiam novos espaços para atender às demandas, levando à decisão de mudar para uma área maior. Ao longo de 30 anos, o terreno localizado no bairro Cocuera, gradativamente passou a receber os processos de produção e as instalações administrativas”.

A empresa mogiana possui mais de 1.300 funcionários, responsáveis pela produção de pastilhas de porcelana para construção civil e componentes automotivos, como velas de ignição, cabos de ignição e terminais supressivos.

Do complexo industrial, a produção – cujo tamanho não é divulgado, por questões de mercado – percorre longas jornadas para atender todo o mercado brasileiro e sul-americano, além de países como Japão – onde começa toda essa história, aliás – França, África do Sul e Nigéria.

Os investimentos na modernização e ampliação do parque fabril tiveram início no ano passado e deverão ser concluídos no decorrer de 2020. O destaque fica por conta de uma outra característica dessa gigante japonesa. Conta o diretor, funcionário desde 1983, que “o investimento do grupo NGK não está condicionado à situação econômica do Brasil”, e, até o momento, acrescenta, já foi nacionalizada a parte de produção das velas especiais de metal precioso G-Power”.

De outro lado, em análise sobre a economia nacional, Gilberto Maeda afirma que o grupo “está otimista com os sinais de recuperação da economia brasileira, tanto no segmento automotivo quanto no da construção civil. No mundo e no Brasil, a empresa vem concentrando esforços para a criação de novos produtos e frentes de negócios, passando por três etapas fundamentais: investigação, renovação e evolução. Desta maneira, a empresa pretende manter sua posição de desenvolvedora de tecnologias e entregar “valores reais” a todos os seus stakeholders, ou seja, clientes, parceiros, investidores e a comunidade”.

Na avaliação ainda, o gestor repete o que os pioneiros empresários japoneses fizeram ao abrir a primeira unidade brasileira, 60 anos atrás, e sugere uma mudança positiva na cena atual. “A empresa acredita muito no mercado brasileiro e está preparada para enfrentar diversos cenários, sempre com foco na qualidade e inovação. O mercado de reposição automotiva já recuperou os valores de antes da crise”.

Para ele, a data histórica representa um marco de uma trajetória de sucesso “Nossa história se entrelaça com a da indústria automobilística, que estava dando os seus primeiros passos, e com a história recente do município de Mogi das Cruzes, escolhido para abrigar a primeira fábrica da companhia fora do Japão”.

Festa terá um Circuito Cultural no parque, dia 18

Além de executar o plano de expansão, a efeméride começou a ser comemorada com o laçamento de uma nova marca de pastilhas de porcelana, a Belamari, que ocorreu no início deste anos. Outras ações foram a reunião com os principais fornecedores e a abertura da planta fabril a visitas feitas por ex-funcionários. Na NGK, muitos dos colaboradores da empresa, em diferentes níveis de atuação, costumam permanecer na unidade até a aposentadoria.

Neste mês, estão previstas outras comemorações com colaboradores e familiares, além da realização de um Circuito Cultural, com uma série de atividades de lazer e culturais, que será realizado no próximo dia 18, no Parque Centenário de Mogi das Cruzes, um lugar, aliás, que possui esse nome como uma forma de celebrar o centenário da imigração japonesa no Brasil, festejado em 2010.

Neste ano, Mogi das Cruzes é que está comemorando os 100 anos da chegada das primeiras famílias de imigrantes japoneses.

Empresa doou imóvel à Prefeitura

A chegada da NGK em Mogi das Cruzes começa com a aquisição das instalações da Cerâmica Pavan Ltda, que fabricava louças de porcelana para uso doméstico e comercial. A empresa pertenceu ao paulistano Antonio Pavan, que aos 34 anos veio morar em Mogi das Cruzes e fundou antiga fábrica de coroas Santa Terezinha, entre as ruas Tenente Manoel Alves e a Professor Flaviano de Melo.

Nos anos 1950, Antonio e o filho dele, Alvaro Pavan, começam a fabricar porcelana para atender laboratórios de empresas químicas, automobilísticas e de siderurgia de São Paulo. A a unidade atendia o mercado paulista, e chegou a exportar produtos para a Alemanha.

A venda da fábrica para a NGK marca o início da atuação da empresa japonesa no Brasil. Em Mogi das Cruzes, a cidade recebe, neste mesmo período, outros investimentos industriais.

A NGK funcionou nesse endereço até concluir o processo de transferência para a sede atual, em frente, aliás, às instalações da Associação dos Agricultores de Cocuera, e vizinha das empresas Kimberly-Clark e Gerdau. A empresa ajuda a selar parcerias entre Mogi e cidades-irmãs do Japão.

A planta fabril da produtora de pastilhas de porcelana e componentes como velas e cabos de ignição, e terminais supressivos, está instalada em uma área de 600 mil m².

Ao se mudar, a NGK transfere para a Prefeitura o imóvel de 32 mil m² que havia adquirido da família Pavan, no passado. Ali é construído o Terminal Central de Ônibus, e nas demais dependências físicas está o Centro de Apoio aos Serviços Municipais (Casem), que agasalha setores públicos como o almoxarifado, arquivo e departamentos das secretarias de Serviços Urbanos e de Saúde.

Fonte e Imagem: O Diário, (04/08/2019)



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